Dia da Comunicação Interna: informar não basta, é preciso conectar pessoas e conhecimento
*Leandro Oliveira, Diretor do Brasil e EMEA da Humand
Em um ambiente corporativo cada vez mais conectado, o excesso de mensagens, a fragmentação de canais e a dificuldade de encontrar informações relevantes se tornaram obstáculos não apenas à produtividade, mas também à construção de vínculos entre as pessoas e as organizações. Por isso, no Dia da Comunicação Interna, celebrado em 30 de setembro, vale refletir sobre uma questão que vai além do volume de conteúdos compartilhados pelas empresas: será que os colaboradores estão realmente conseguindo acessar, compreender e utilizar aquilo que comunicamos?
De acordo com a McKinsey Global Institute, profissionais dedicam, em média, 1,8 hora por dia, ou 9,3 horas por semana, à busca por informações necessárias para o trabalho. Isso representa aproximadamente 25% do tempo produtivo. Parece muito? Agora pense em quantas vezes por dia você se pergunta "isso estava no e-mail ou no chat?" ou pergunta a um colega "onde está aquele documento do diretor?" O dado evidencia um desafio estrutural para as empresas: nunca tivemos tantos recursos para nos comunicar, mas isso não significa que a mensagem esteja chegando às pessoas de maneira simples, eficiente e relevante.
Durante muito tempo, a comunicação interna foi compreendida principalmente como um canal para transmitir decisões, divulgar mudanças e alinhar equipes aos objetivos do negócio. Essa função continua sendo essencial, mas já não é suficiente. Em organizações cada vez mais diversas, distribuídas e compostas por diferentes gerações e modelos de trabalho, comunicar também significa criar condições para que os colaboradores encontrem respostas, compartilhem percepções e participem ativamente da vida corporativa.
Essa transformação começa pelo reconhecimento de que a informação, quando não está organizada ou acessível, pode produzir o efeito contrário ao desejado. Comunicados dispersos, ferramentas desconectadas e processos que dependem de intermediários criam fricções na rotina e dificultam o acesso ao conhecimento. Para os profissionais que não trabalham em frente a um computador, como equipes de lojas, fábricas, hospitais e operações logísticas, esse desafio pode ser ainda maior, especialmente quando os canais tradicionais não fazem parte de sua jornada de trabalho.
É nesse contexto que a tecnologia, especialmente a inteligência artificial, passa a desempenhar um papel estratégico. Mais do que acelerar o envio de mensagens, ela pode ajudar a organizar o conhecimento corporativo, simplificar o acesso a informações e tornar a comunicação mais útil para quem está na ponta da operação.
Um exemplo são os agentes de IA capazes de responder a dúvidas sobre políticas internas, benefícios, processos e procedimentos. Quando um colaborador consegue consultar esses pontos em linguagem natural, sem precisar recorrer a diferentes documentos ou departamentos, ganha autonomia para resolver questões cotidianas.
Essa evolução também abre espaço para uma comunicação mais próxima e participativa. Afinal, reduzir o tempo gasto na busca por respostas é apenas parte do desafio. As empresas precisam criar canais acessíveis para ouvir seus colaboradores, compreender suas necessidades e demonstrar que suas contribuições têm impacto real nas decisões e nos processos.
Neste Dia da Comunicação Interna, o convite é ampliar a reflexão sobre o que significa manter uma organização conectada. Mais do que garantir que uma mensagem seja enviada, precisamos assegurar que ela chegue ao público certo, seja compreendida e, quando necessário, abra espaço para uma conversa.
Em um cenário no qual a atenção se tornou um recurso escasso, comunicar melhor não significa aumentar o volume. Significa construir experiências em que o conhecimento seja acessível, esteja ao alcance de todos e a escuta faça parte da rotina. Quando isso acontece, a comunicação interna deixa de ser apenas um canal operacional e passa a atuar como um elo entre pessoas, cultura e estratégia de negócio.
*Leandro Oliveira é diretor EMEA e Brasil na Humand. O executivo traz consigo mais de 20 anos de experiência no setor de tecnologia e desenvolvimento de projetos, sendo cerca de 12 desses atuando em cargos de liderança. Com pós-graduação pela Heriot-Watt University e MBA Internacional em Administração e Gestão pela IE Business School, Oliveira conta ainda com um histórico comprovado de sucesso na implementação de projetos estratégicos de TI alinhados aos objetivos de negócio, com foco em inovação e crescimento dentro do mercado financeiro, além de sólida expertise em arquitetura de sistemas, segurança cibernética e democratização do acesso à tecnologia.













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